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sexta-feira, julho 23, 2010

A GUARDIÃ DA RAINHA - CAP. 2

CAPÍTULO 2 - YARA O trajeto até o galpão foi como programado. Ninguém andava pelos corredores naquela hora da noite. Os códigos de segurança, as câmeras e o leitor de olhos compunham o sistema mais básico de identificação do L.P.A. Superada essa etapa, poderia adentrar sem medo o recinto subterrâneo do Setor XVII. Entretanto, como todo o laboratório mantinha um padrão de monitoramento constante e câmeras pelos quatro cantos, Yara teria que desviar sua rota e passar pela sala de controle geral para desligar as prováveis aparelhagens. Para um iniciante, essa seria a parte mais difícil, mas há semanas ela preparava sua missão e não seria um conjunto de acessórios tecnológicos detectores de movimentos suspeitos que a pararia. Criara o hábito de ampliar sua gama de informantes com o passar do tempo e no controle geral não era diferente. O racker que passava horas e mais horas cuidando dos computadores do L.P.A. era um dos tantos amigos de infância de Yara, chamado Thiago Vasconcelos. Nas aulas de esgrima, por ser mais gordinho, recebia reclamação dos professores e era altamente descriminado pelos outros estudantes. Até que Yara decidiu por um basta naquilo. Deu-lhe aulas extras de luta e manejo de espadas, o tornou mais atlético e decidido. Agora, não era somente o Diretor Chefe do Departamento de Segurança Computadorizada, como também um dos ex-alunos mais cobiçados pelas mulheres do laboratório. Eu gosto muito do Thiago, mas faço qualquer coisa para rever meus pais. Sentia medo de causar-lhe algum problema futuro ao penetrar no íntimo do sistema do Setor XVII, porém não poderia deixar de lado sua missão e vontade. Planejara, revisara, voltara, refizera os planos diversas e diversas vezes. No fim conseguiu um modo de deixá-lo livre de suspeitas. Ao bater na porta do departamento, foi recepcionada por um moreno alto, de cabelos encaracolados negros e olhos maliciosos tão profundos que, se não o considerasse simplesmente como um bom amigo, se renderia ao seu charme. - Olha, olha o que temos aqui? – exclamou Thiago – Se não é a mulher mais bonita de toda a região! – É! Ele tinha uma pequena recaída por mim todas as vezes que nos vemos. Pena para sua namorada. - Você é que é muito bondoso, querido. – abraçou-o. - O que a faz retornar ao L.P.A. as – consultou o relógio – meia noite e meia? – se aproximou mais – Veio aqui só para me pegar sozinho, amor? – usou seu charme. Oh, que charme! - Talvez. Consegui? – flertou Yara. Esse era o único meio de não torná-lo suspeito. Assim que as gravações fossem integres ao diretor pela manhã, ele estaria livre de qualquer culpa; afinal, quem imaginaria que a ingênua Yara Watson iria enganar alguém na vida? Ele se sobressaltou. Sempre investira em Yara, mas ela raramente prestava atenção aos outros homens enquanto tinha Bernardo como alvo principal. Ele fora o seu primeiro inimigo e aquele que tirara a mulher que adorava de seu caminho. E agora, ali estava ela, a poucos centímetros de distância, lambendo seus lábios antecipando o possível beijo. As suas vindas pelo departamento não poderiam ser em vão. - É... Bem... Isso é inesperado. – gaguejou – Entre, fique à vontade. Yara entrou mexendo os quadris. Ela não sabia que seria tão fácil. Thiago sempre sentira isso por ela? Como nunca desconfiara? Pensava que seus flertes não passavam de brincadeiras. E lá estava ela. Tentando seduzi-lo para realizar sua missão egoísta. Se sentia péssima de agir daquela forma. Pôs os sentimentos de lado e continuou: - Sempre fica sozinho a essa hora da noite? Deve se sentir extremamente solitário... – suspirou ela. - Sim... Quero dizer, me sinto solitário muitas vezes. Raramente há mulheres tão bonitas por aqui como eu queria, mas os homens dão conta. – ao perceber que falara besteira, retratou-se – Eu digo, ninguém fica junto, você sabe. Há muitos homens nesse departamento então é... Bom, esquece. O pessoal pediu para sair mais cedo, pois amanhã é feriado. Então, fiquei aqui sozinho tomando conta de tudo. – respirou fundo ao terminar. Eu mexo com ele. Interessante. - Ah, que pena. Você, tão bonito, mas tão solitário... - Gostaria de me fazer companhia? Está frio lá fora. Fique. Eu faço chocolate quente para nós dois e... Conversaremos mais enquanto os tomamos. O que acha? - Seria maravilhoso, Thiago. – ele se arrepiou pelo novo modo que ela chamava seu nome – Posso esperar aqui? Na sua cadeira? – Yara fez beicinho. - Claro, Yara. Claro. Já estarei de volta. – saiu cambaleante. Essa é minha chance. Correndo seus dedos pelo teclado constantemente usado do seu amigo, Yara invadiu o controle geral de segurança. No total, mais de mil câmeras estavam espalhadas por todo o território do L.P.A. O subterrâneo era aonde se concentravam o maior número. No Setor XVII, seu destino, havia cinqüenta câmeras por todo o perímetro. Seu destino estava ligado a essas câmeras. Teria que desligá-las para completar a segunda etapa de seu plano. Códigos surgiam a cada clique do mouse. Senhas da mais simples até as mais complexas eram decodificadas em segundos pelo programa que adquirira por um comerciante na Zona Franca. Já estava terminando de desconectá-las quando escutou o barulho da porta se abrindo. Faltavam cinco das cinqüenta câmeras. Não lhe sobrava tempo para proceder e acabar o trabalho. Danem-se as cinco. Vão descobrir o que vou fazer facilmente mesmo... Deslocou-se para o lado buscando uma posição de inocente. Suas escolhas não foram as mais fáceis, contudo eram as corretas. Mesmo ao conseguir seduzir Thiago que um rápido gesto e não ficar para continuar a festa com ele. - Yara, aqui está... - Oh, querido! Eu necessito ir ao banheiro. Poderia me dar licença? – sorriu forçosamente. - Sim, Yara. Última porta a direita. Não demore. – ele finalizou. Que pena, Thiago, que eu tenho que ir agora. Bem que queria esquecer minhas mágoas ao seu lado, pressionada contra esses braços fortes... Se pensasse nisso não chegaria a lugar algum. Correu pelos caminhos obscuros dos departamentos procurando um meio de adentrar o Setor XVII sem mais nenhum problema. Como tinha passe livre, sua entrada mal foi anotada no sistema de supervisão. Ela era um fantasma em um setor também fantasma que existia exclusivamente para aqueles poucos selecionados. Estava deserto. Não havia barulho nos corredores que integravam o galpão subterrâneo. O elevador fizera seu trabalho com perfeição e a deixara em meio a arquivos falsos que davam a uma entrada secreta por trás da estante da ala leste. Quem imaginaria que um setor todo existiria detrás de uma mera estante? Seus sentidos aumentaram à medida que se aprofundava em direção ao centro, onde o motivo do setor secreto existia. A máquina estava do mesmo jeito que a deixara de tarde. Linda e enorme. Suas vigas de metal fundido em platina estavam ainda mais brilhosas na escuridão. Computadores marcando dia, hora, latitude, longitude, ano se espalhavam ao redor de tamanha perfeição humana. Seus testes foram dos melhores. Era necessário colocar o peso certo e aquela beleza levaria quem e o que fosse ao passado. Não havia melhor no mundo. Sua exibição mundial seria dali a dois dias. Então, ou era agora ou nunca. - Olá Yara. – uma voz familiar veio de sua extrema direita. Uma voz que há pouco tempo embalava seus sonhos e a levava a um mundo melhor, de mais lealdade, companheirismo e amor. Que irônico. – Eu sei o que você quer fazer. Desculpe informá-la, mas não deixarei que isso aconteça. – Falou Bernardo, o meu primeiro grande amor e ex-parceiro. - Vamos ver se você consegue me deter. – encarei-o. Etapa 2: COMPLETA. Só falta tirar esse idiota do meu caminho e conseguirei salva-los, mamãe e papai. -.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.- Aqui está :D Beijo cats :*

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