Duas semanas. Era tudo que meu pai pedia para visitar sua terra natal, Viçosa – Al, todos os anos. Não era muito na opinião dele, mas para mim era um tipo de sacrifício de proporções cesarianas. O pior eram as datas que mudavam temporariamente. Há algum tempo caiu no meio de junho. Perdi grandes momentos do São João por causa disso.
Quando eu era menor, nem me importava em ficar no sítio, afastada do mundo, todo esse tempo; na verdade, lutava para prolongar minha estadia. Tudo era novo. Meu espírito de aventureira aflorava sempre que chegava a época da tão esperada viagem. Também, ter um lugar praticamente deserto para vasculhar e descobrir “novas espécies de animais” debaixo de pedras, quem não iria aproveitar? Até a mais introvertida criança se divertiria bancando o Sherlock Homes.
Contudo os anos se passaram e eu fui crescendo. Não me bastava só explorar; já tinha andado pelos campos e pulado em todas as árvores existentes no terreno. O sítio em nada mudara. Minha vida de descobertas estava chegando ao fim. E assim, fui me esquecendo do lugar que eu mais amara na infância.
A internet entrou de modo imprescindível em meu cotidiano. Comunicar-me com meus amigos era essencial. Escola, provas, festas; tornei-me sobrecarregada. A sociedade nos faz assim... Verdade? É como eu deveria estar? Valia a pena abrir mão de algo tão precioso para mim como a vida ao ar livre para impressionar os outros quanto a mim mesma?
P.V.
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