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segunda-feira, maio 10, 2010

VISÃO

Um lago à minha frente. Vacas mugindo ao fundo da paisagem, garças grasnando à procura de um parceiro, pássaros característicos da região voando e proporcionando sons a tanto esquecidos. Rebanhos de carneiros e ovelhas passeando por uma estrada de barro. Dúzias de vagens espalhadas pelo chão tinham como mater as infinitas algarobas predominantes na vastidão dos planaltos rochosos. A sensação do vento ao bater em meu rosto e transformando meu cabelo em ondas. A imensidão do céu escasso de nuvens escuras com um azul admiravelmente mais bonito que o mar. Pontos de luz a cada 100 metros os quais, à noite, tornam-se lugares certos para as festanças dos besouros beberrões que procuram se aquecer. E como não podia faltar, um milhão de moscas ao meu redor acabando com minha paciência através do contínuo zum-zum-zum de suas asas. A casa central, que comandava as diversas casinhas amarelas de zeladores, podia ser vista por trás. Cavalos de passeio e cavalos-guias; estes escoltavam nelores e holandesas em segurança para os pastos a minha direita. Em um cercado, que não se vê daqui, acontecia uma paquera entre o poligâmico macho alfa e suas ninfas-vacas. Araras comedoras de dedos esperavam por “um pedaço de pão” vindo de sua potencial próxima vítima. Havia ainda lebres ariscas aos visitantes que se reproduziam com a mesma velocidade das amebas presentes em seus organismos. Para fechar o estranho zoológico do local: galinhas atletas esperavam pela futura olimpíada de cacarejo e corrida de 200 metros. Se não fosse inusitado, seria cômico. O lugar que me deu a inspiração para descrever é uma simples fazenda no interior do cariri paraibano. Nas poucas vezes que venho aqui, sinto-me bem. Mas somente dura cinco dias. Uma semana? Melhor me internar no Juliano Moreira. Esse é o cenário que vejo diante de mim. E olhe que estou sentada na cancela de madeira pertencente aos garrotes. Imagine se eu estivesse em uma cadeira de verdade?! P.V.

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